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Primeira reunião Conselho Consultivo HIDS – 08/10/2019

ATA DA PRIMEIRA REUNIÃO DO CONSELHO CONSULTIVO FUNDADOR DO HUB INTERNACIONAL PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL – HIDS

Aos oito dias do mês de outubro do ano de dois mil e dezenove, às dezessete horas, na sala de reuniões da reitoria da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Cidade Universitária “Zeferino Vaz”, no Município de Campinas, Estado de São Paulo, fizeram-se presentes as seguintes entidades, e seus respectivos representantes, para a Primeira Reunião Ordinária do Conselho Consultivo Fundador do HIDS: o Prof. Dr. Marcelo Knobel, reitor da Unicamp; o Prof. Dr. Germano Rigacci Junior, reitor da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas); o senhor Antonio José Roque da Silva, diretor geral do Centro Nacional de Pesquisas em Energia e Materiais (CNPEM); o senhor Sebastião Sahão Junior, presidente do CNPQ; o senhor Carlos Prax, diretor do Centro de Tecnologia da Cargill América Latina; o senhor José Franklin Gindler, presidente da Cariba Empreendimentos e Participações; o Prof. Dr. Américo Ceiki Sakamoto, diretor executivo e representante suplente da Secretária de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, Patricia Ellen da Silva; o senhor André von Zuben, secretário de desenvolvimento econômico, social e de turismo da Prefeitura Municipal de Campinas e representante suplente do prefeito de Campinas, Jonas Donizette.

Os convidados: Vanderléia Radaelli, especialista líder em ciência, tecnologia e inovação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID);  o Prof. Dr. Marco Aurelio Pinheiro Lima, diretor da Diretoria Executiva de Planejamento Integrado da Unicamp (DEPI) e coordenador do HIDS; Prof. Dr. Marcelo Pereira da Cunha, professor do Instituto de Economia da Unicamp e assessor da DEPI; Thalita Dalbelo, arquiteta e urbanista e coordenadora do Plano Diretor Integrado da Unicamp; Talita de Almeida Mendes, administradora e coordenadora da área de gestão de empreendimentos na DEPI/Unicamp; Patricia Mariuzzo, jornalista e responsável pela área de comunicação do HIDS; a Prof(a). Dr(a). Maria Gabriela Caffarena Celani, professora da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Unicamp e coordenadora do master plan do HIDS; Prof. Dr. Miguel Juan Bacic, professor do Instituto de Economia da Unicamp e coordenador do grupo que vai elaborar um modelo de negócios para o HIDS; Prof. Dr. Ulysses Cidade Semeghini, professor aposentado do Instituto de Economia da Unicamp e membro da equipe que vai elaborar um modelo de negócios para o HIDS; Prof. Dr. Geraldo Biasoto Junior, professor aposentado do Instituto de Economia da Unicamp e membro da equipe que vai elaborar um modelo de negócios para o HIDS; Prof. Dr. Josué Mastrodi Neto, professor da Faculdade de Direito da PUC-Campinas, coordenador da equipe que vai elaborar um modelo de governança para o HIDS; Prof. Francisco Vicente Rossi, diretor da Faculdade de Direito da PUC-Campinas; Prof. Dr. Ricardo Pannain, pró-reitor de administração da PUC-Campinas; Prof. Dr. Rui Henrique Pereira Leite de Albuquerque, professor do Instituto de Geociências da Unicamp e assessor da diretoria geral do CNPEM; Lívia Gonçalves, jornalista e coordenadora da área de comunicação do CNPEM e Renata Vasconcelos, advogada, coordenadora da área jurídica do CNPEM.

O professor Marcelo Knobel abriu a reunião dando boas-vindas a todos e apresentou o objetivo da reunião: formalizar a criação de um Conselho Consultivo Fundador do HIDS para alavancar a implantação efetiva do projeto com a participação de todos os atores. Em seguida, o diretor geral do CNPEM, José Roque, questionou a presença de outros atores, como o Banco Santander. Knobel explicou que a coordenação do HIDS fez o contato com representantes do Banco em Campinas, mas que o ingresso dessa instituição no Conselho do HIDS ainda não foi aprovado pela diretoria do Banco na Espanha. Também foi feita uma apresentação do HIDS para o diretor da escola Sabis Internacional, que está sendo construída no território do HIDS. O ingresso da Escola também está sendo submetido à diretoria do grupo fora do Brasil.

O coordenador do HIDS, professor Marco Aurelio Pinheiro Lima, explicou que o Conselho Fundador do HIDS não é um grupo fechado e outros atores devem ser convidados para compor o Conselho, como por exemplo, o Instituto Eldorado. Knobel explicou que o Conselho é um órgão informal e consultivo, mas que ainda assim é importante para dar sequência ao projeto e consolidar sua implantação. Em seguida, o professor Marco Aurelio Lima fez uma apresentação sobre o HIDS, trazendo um breve histórico do projeto e elencando diversas empresas que já demonstraram interesse em participar dele, como por exemplo, a Shell, a Dow Chemical, IDCA, Equinor, além da CPFL e Sanasa. Fazendo uma comparação com o Vale do Silício, na Califórnia (EUA), Lima afirmou que a participação da iniciativa privada em parcerias com institutos de pesquisa é fundamental para o sucesso do projeto.

Ele finalizou sua apresentação explicando a estrutura de trabalho pensada para a construção do planejamento do HIDS, que será dividida em seis componentes: 1. Master plan, coordenada pela professora Dra. Gabriela Celani, da Unicamp; 2. Modelo de negócios, coordenada pelo professor Dr. Miguel Juan Bacic, da Unicamp; 3. Patrimônio, coordenada pelo professor Dr. Carlos Joly, da Unicamp; 4. Modelo Jurídico, coordenada pelo professor Dr. Josué Mastrodi Neto, da PUC-Campinas; 5. Comunicação, coordenada pela jornalista Patricia Mariuzzo, que cuida da comunicação do HIDS; e 6. Avaliação de Sustentabilidade, coordenada pelo professor Dr. Marcelo Pereira da Cunha, da Unicamp.

Em seguida, a professora Gabriela Celani tomou a palavra para falar sobre o master plan do HIDS. Um dos modelos que devem inspirar o projeto em Campinas é o da Kendall Square, área da cidade de Cambrigde na borda leste do campus do MIT (Estados Unidos), área com uma das maiores concentrações de empresas inovadoras nos setores de tecnologia e biotecnologia do mundo. Celani explicou que esse é um “case” de interação entre ciência e desenvolvimento urbano, com participação dos setores privado e público, com o qual podemos aprender. O sucesso da região só ocorreu após 2010, quando se percebeu a necessidade de se aumentar a diversidade de espaços e de pessoas. Para isso foi preciso investir em espaços públicos de qualidade e em habitação acessível para diferentes faixas de renda. A proposta inicial foi feita pela prefeitura da cidade, com acompanhamento de membros da comunidade e do MIT. O projeto envolveu a construção de novos edifícios, renovação dos espaços livres, criação de corredores de conexão com a Kendall Square e propostas de atividades para a ativação do espaço urbano, atraindo a comunidade que vive e trabalha nas proximidades. Celani destacou que, a despeito de ter alcançado seus objetivos, o projeto tem problemas com relação à infraestrutura, com trânsito e em relação à inclusão social. Segundo ela, é preciso aprender com casos como esse e evitar que tipo de problema ocorra no HIDS. A inclusão social e racial não é apenas uma atividade beneficente. Trata-se de uma estratégia para obtenção de um ambiente mais criativo. A própria Unicamp já comprovou que a inclusão social traz benefícios acadêmicos. Como exemplo, ela citou o fato de que no curso de Arquitetura, o segundo mais concorrido da Unicamp, em 2018, a aluna que terminou o curso com a maior média era negra. Em 2019, um dos melhores alunos da graduação veio do Parque Oziel, um bairro com moradores de baixa renda de Campinas, que só ingressou na Unicamp graças ao PROFIS, um programa de inclusão social criado pelo professor Marcelo Knobel há quase 10 anos. Finalmente, a professora Gabriela destacou que o master plan para o HIDS precisa tirar proveito das competências de todas as instituições envolvidas e estabelecer um novo padrão de urbanização que pode ser um exemplo a ser seguido. A visão de smart city que está sendo pensada para o HIDS não começa com a tecnologia; começa com o entendimento do meio ambiente, com a importância da infraestrutura, dos espaços públicos, com a adoção de edifícios sustentáveis, do metabolismo da região, que inclui o tratamento do esgoto, do lixo e o uso de fontes de energia renováveis, com a valorização das pessoas e o uso que elas farão do espaço. Somente depois dessas etapas vem a camada de tecnologias que tornarão a vida mais eficiente e confortável.

Após essa apresentação, o professor Miguel Juan Bacic tomou a palavra para descrever as bases de um modelo de negócios para o HIDS: Segundo ele, o território do HIDS deve gerar um valor social, ambiental e econômico superior ao que seria a soma daquele gerado isoladamente pelos seus integrantes. Esse valor é obtido por meio da cooperação e integração dos modelos de negócios de cada um dos integrantes. Geração de sinergias sociais, urbanas, ambientais e econômicas que propiciarão fortes ganhos para a sociedade: um novo modelo de vida urbana e social com fundamento na sustentabilidade e na melhoria da qualidade de vida, inovações em produtos e serviços, maior conhecimento científico e técnico. Bacic explicou ainda que a construção desse modelo de negócios deve passar, entre outras ações, pela identificação das capacidades e valores já existentes (RH, universidades, redes de conhecimento, laboratórios e equipamentos de pesquisa), pela avaliação das possíveis vantagens para as empresas inovadoras com suas presenças no HIDS (implantação de atividades de suporte como: estrutura de rede, contabilidade, acesso a crédito e agências de fomento) e para os agentes integrantes do HIDS. O objetivo é criar e viabilizar um ambiente onde as atividades econômicas, sociais e culturais desenvolvidas pelos agentes presentes possam se integrar de forma harmônica com o HIDS. Ele ainda convidou todas as instituições presentes a indicarem pessoas que queiram acompanhar o grupo de trabalho que vai desenhar o modelo de negócios do HIDS. O professor Rossi, diretor da Faculdade de Direito da PUC-Campinas, tomou a palavra para explicar sobre a construção de um modelo de governança para o HIDS. Ele explicou que um grupo de 136 alunos e professores foram mobilizados na Faculdade de Direito da PUC-Campinas para trabalharem nesse projeto, que deve resultar em modelos de convênios e contratos entre os “stakeholders” (entidades públicas, privadas etc.); adequação da legislação municipal, estadual e até federal para dar sustentáculo jurídico a esse projeto.

 

Em seguida, a jornalista Patricia Mariuzzo, descreveu resumidamente a estratégia de comunicação pensada para as próxima fases do HIDS, que tem como objetivo estabelecer uma comunicação a serviço do Conselho Fundador do HIDS para promover o HUB para uma variedade de públicos (comunidade das instituições HIDS, empresas, empreendedores, imprensa, sociedade civil), tendo como foco disseminar o conhecimento sobre o projeto, gerando uma imagem positiva sobre ele a partir de uma narrativa sobre sustentabilidade, geração de valor e a criação de um laboratório vivo.

A especialista em ciência, tecnologia e inovação do BID, Vanderléia Radaelli, apontou que o projeto do HIDS está sendo apoiado pelo BID por duas razões: o projeto obriga duas divisões do Banco a trabalharem em conjunto: a divisão de desenvolvimento urbano e a divisão de competitividade e inovação. O recurso de US$ 1 milhão, que está sendo aprovado para a elaboração do projeto do HIDS, vem de um fundo coreano de inovação que tem investimentos do setor público e privado. Os administradores do fundo têm muita experiência com governança de inovação envolvendo atores públicos e privados e têm interesse nesse projeto, que deve incluir missões para a Coreia do Sul para mostrar o que tem sido feito naquele país. Ela informou, ainda, que o BID organiza anualmente uma reunião com ministros e vice-ministros de ciência, tecnologia e inovação de toda a América Latina e Caribe. Em 2020, esse encontro vai acontecer em Campinas, com local ainda a ser definido. Ela também informou que a área de comunicação do BID estava negociando com o jornal O Estado de S.Paulo a elaboração de um caderno especial sobre o ecossistema de inovação de Campinas. Finalmente, ela informou que o Banco estava organizando uma entrevista com o reitor da Unicamp, Marcelo Knobel, com uma jornalista do BID, na sede do banco, em Washington, programada para acontecer no dia 22 de outubro. Será uma oportunidade de falar sobre o HIDS para uma audiência mundial. A entrevista deve ser transmitida ao vivo, via Facebook. Segundo ela, a inovação é prioridade no BID e Campinas é um lugar propício para projetos inovadores.

O reitor da Unicamp retomou a palavra para agradecer as apresentações e apontou que a ideia já evoluiu bastante, mas que ainda há muito trabalho a ser feito. Ele destacou que o recurso do BID não virá diretamente para a Unicamp e que o próprio banco vai organizar as contratações. Também mencionou a questão do tempo, tendo em vista que sua gestão como reitor da Unicamp termina em 2021 (e de toda a equipe que está trabalhando atualmente no HIDS) e que a atual gestão municipal termina em 2020. Por isso, é fundamental deixar as bases do projeto estruturadas, com raízes profundas para que ele tenha continuidade. No caso da universidade, é preciso que toda a comunidade conheça e esteja de acordo com o projeto. Ele também contou que a equipe do HIDS fez contato com o Ministério Público do Estado de São Paulo, buscando conhecer garantias legais para que o projeto continue independentemente da gestão municipal e estadual. Ele destacou, ainda, que é importante ter em conta que o HIDS não é um projeto pessoal, mas um projeto institucional para a cidade e para o futuro, isto é, para as próximas gerações. Há um aspecto altruísta e é importante que seja assim. Em seguida, ele abriu para ouvir manifestações dos demais presentes.

O reitor da PUC-Campinas, professor Germano Rigacci, tomou a palavra para lembrar que há um ano a PUC-Campinas recebeu o convite para compor o projeto, tendo aceitado prontamente. Ele destacou que o HIDS ganhou uma proporção maior, tendo alcançado toda a cidade. Ele apontou que tem uma expectativa de que a cidade de Campinas crie as condições necessárias para que o HIDS se concretize e que tenha continuidade. Segundo ele, é importante juntar esforços e superar os desafios que se colocam em um projeto dessa complexidade, mas que é, também, um projeto inspirador para a cidade de Campinas e para o país, que deve colocar a cidade em posição de destaque como polo de inovação em todo o Brasil.

Em seguida, o representante da Cargill, Carlos Prax, tomou a palavra para agradecer a oportunidade e mencionou que não existe inovação sem ousadia e que isso é um valor importante na Cargill. Ele questionou sobre quais serão os próximos passos do projeto e que isso tem a ver com entender que futuro queremos para a cidade. Segundo ele, mais do que necessário, esse projeto é urgente. A presença de universidades de renome nessa região é uma das razões da empresa ter instalado um centro de pesquisa e desenvolvimento no território do HIDS. Isso traz desafios, mas também grandes oportunidades.

O representante da Cariba, José Franklin Gindler, tomou a palavra para contar que na década de 1970 ele participou de um projeto na Unicamp, ainda com o reitor professor Dr. Zeferino Vaz, para a construção de painéis fotovoltaicos. O projeto, no entanto, não foi adiante porque carecia de infraestrutura. Nesse sentido, uma das preocupações que ele expressou foi em relação à governança. Ele contou que, em termos da sua empresa, há grande dificuldade em relação à Prefeitura de Campinas, no caso específico do seu Plano Diretor. Ele sugeriu que a Prefeitura tenha uma pessoa diretamente envolvida com o HIDS que garanta a aprovação de um plano diretor específico para a área, já que será importante uma lei de zoneamento própria para essa área que possa atender a tudo que foi mostrado anteriormente na apresentação sobre o master plan do HIDS.

Marcelo Knobel interrompeu para destacar que uma nova lei de zoneamento não pode ser aprovada antes da elaboração do master plan. O zoneamento tem que ser adaptado ao master plan.

José Franklin Gindler disse, ainda, que esse projeto pode colocar a cidade de Campinas em outro patamar em termos de investimentos no setor imobiliário. Segundo ele, atualmente Campinas é vista como uma cidade de segunda classe, mas os investidores não sabem da qualidade que existe aqui. Investidores da Flórida que vieram conhecer a cidade ficaram impressionados com a sua infraestrutura. Para ele, é fundamental colocar a cidade na mídia e falar de suas qualidades e o HIDS deve ajudar nisso.

Em seguida, o diretor geral do CNPEM, José Roque, apontou que ninguém pode ser contra um projeto que tem como eixo principal a sustentabilidade. Depois ele fez vários questionamentos sobre a governança do Conselho e apontou que ele se sentiu atropelado, que não sabia que seria contemplado pelo master plan, como seria o envolvimento do CNPEM no master plan, quais os entregáveis do master plan e como seria a estrutura de governança do Conselho.

Marcelo Knobel tomou a palavra para responder a esses questionamentos, dizendo que o Conselho tem caráter consultivo e que ainda não tem uma base jurídica para tomar decisões. A ideia é que o Conselho se reúna regularmente e que os representantes de todas as instituições levem as ideias para o projeto e que o Conselho vá dando indicações para o andamento. Segundo ele, é um grande desafio lidar com um conjunto de instituições de várias naturezas: o poder público, instituições de ensino e pesquisa e empresas. Ele explicou que a coordenação do projeto está na Unicamp porque aqui se formou um grupo dedicado a pensar esse assunto, mas que é importante trazer todos os atores da área, de uma maneira tranquila, voluntária e aberta para trabalhar de forma cooperativa. Ele disse, ainda, que cada instituição decide como e o quanto quer participar. Nada está formalizado ou iniciado, são ideias e, mais do que isso, sonhos.

O professor Marco Aurelio, coordenador do HIDS, tomou a palavra para contar que nos primeiros contatos com o BID havia a ideia de se fazer um concurso internacional para selecionar uma empresa que faria o master plan. No entanto, a percepção do grupo de trabalho foi que seria muito melhor colocar as duas escolas de arquitetura – da Unicamp e da PUC-Campinas – para cuidar do assunto. Ele disse, também, que seria importante que o grupo que está trabalhando com o modelo de negócios para o HIDS seja ampliado, passando a ter um representante de cada instituição, agregando esforços para criar um mecanismo para que se consiga colher informações e trazer as sugestões para o Conselho.

O reitor da Unicamp tomou a palavra novamente e disse que tudo tem que andar em paralelo porque assim que o modelo jurídico for validado, poderá ser criada uma instituição, um consórcio, uma associação e, a partir daí, poderá ser elaborado um regimento e um conselho com caráter deliberativo etc. Ele mencionou ainda que, por enquanto, todo o trabalho tem como base a confiança das instituições que querem entrar oferecendo suas competências e habilidades e que o ideal é que todos participem pelo bem comum.

Nesse momento, o representante da Cargill interveio para dizer que é importante que todos possam pensar de maneira conjunta para ir além das próprias instituições.

O representante da Prefeitura de Campinas, André von Zuben, tomou a palavra para dizer que o projeto é inovador até mesmo na forma, porque envolve áreas da Prefeitura, a iniciativa privada e o Estado de São Paulo. Ele afirmou que a Prefeitura apoia totalmente a iniciativa, tanto no aspecto do planejamento quanto no aspecto político, que a Prefeitura tem que induzir a ocupação através de uma lei de uso e ocupação do solo que coloque condições para que o projeto do HIDS se consolide, definir um modelo e criar as regras para isso, por exemplo, estabelecer um formato com uso misto com comércio, habitação etc. Ele afirmou, também, que a legislação é um dos instrumentos que nós temos para garantir a continuidade desse projeto e que, na verdade, a área que será ocupada pelo HIDS só está disponível para isso porque uma lei de 30 anos atrás reservou a região para atividades relacionadas à ciência e tecnologia, senão ela já teria sido ocupada por outros empreendimentos. Disse, também, que a prefeitura não tem intenção de que condomínios residenciais se instalem naquela área, que hoje esse território tem uma legislação que reserva a área para atividades industriais e ligadas à pesquisa e que a prefeitura pretende fazer um planejamento específico para essa área tendo em vista o HIDS.

O professor Marco Aurelio retomou a palavra para afirmar que já foi feito um acordo com a Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Urbano de Campinas para que ela entregue para a equipe do HIDS o que está sendo pensado para essa área para que o grupo de arquitetos consiga conciliar os interesses da cidade com os do projeto e que é importante que o planejamento do HIDS esteja integrado com o da cidade. Ele afirmou, ainda, que não deve haver pressa para elaborar uma lei sobre esse assunto porque se isso acontecer não será possível construir a infraestrutura robusta proposta pelo HIDS. Ele mencionou, ainda, que já houve conversas com os proprietários privados. Na opinião dele, esses proprietários precisam de um bom plano de integração ao tema para que eles percebam as oportunidades que o HIDS pode trazer. Nesse sentido, é possível fazer um plano de negócios muito arrojado para atrair o empresário que antes queria fazer loteamento. É importante oferecer algo mais interessante que os condomínios convencionais, que gere valor.

André von Zuben retomou a palavra e afirmou que o plano de negócios do HIDS só vai parar de pé se esses proprietários privados enxergarem valor econômico, que tem que ser interessante para a iniciativa privada. Ele disse, também, que isso é fundamental para a sustentabilidade do projeto, uma iniciativa com vários atores, inclusive com a participação do governo do Estado de São Paulo. Ele concluiu dizendo que o projeto só será viável se houver interesse da sociedade e também interesse econômico.

Nesse momento, o representante do CPQD, Sebastião Sahão, tomou a palavra para afirmar que o HIDS tem a ver com o propósito dessa instituição, ou seja, desenvolver projetos que gerem bem-estar para a sociedade. Ele afirmou que, como a Unicamp tem a maior área no HIDS, é importante que ela coordene o projeto para que ele tenha continuidade. Ele afirmou que o protagonismo da Unicamp é importante e que CPQD tem interesse em participar para pensar a sua infraestrutura. Ele continuou dizendo que o CPQD tem forte interesse em aumentar as relações com a Unicamp, a PUC-Campinas e com a cidade como um todo. Para ele, o Conselho tem que apoiar a iniciativa agora e, posteriormente, cada um terá um papel. Disse, também, que é natural que um projeto dessa magnitude tenha riscos no início, mas que o HIDS conta com o apoio integral do CPQD.

Em seguida, o representante do governo do Estado de São Paulo, Américo Sakamoto, tomou a palavra para dizer que considerava aquela reunião histórica no sentido de criar as bases do Conselho Consultivo Fundador do HIDS, um projeto considerado estratégico pelo Governo estadual, disse que a ideia é muito ambiciosa e que o mais importante, agora, é valorizar a ideia porque essa é uma construção coletiva da qual cada instituição pode participar com sua expertise. Ele afirmou, ainda, que vivemos em um país extremamente empreendedor e que fica cada vez mais claro que se não investirmos em inovação nós não vamos conseguir atingir o nível de desenvolvimento que queremos e precisamos atingir. Sobre a preocupação dos períodos de transição política, ele afirmou que no caso do governo do Estado de S. Paulo, felizmente estamos iniciando a gestão, com três anos pela frente. Ele também disse que na Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo foi feito um exercício, no começo da gestão, para determinar o que seriam as grandes missões e um dos três pilares da gestão é o investimento em inovação. Nesse sentido, o HIDS está bastante alinhado com os objetivos da atuação da Secretária de Desenvolvimento Econômico. Assim, a Secretaria deve oferecer total apoio ao projeto. Ele mencionou que a secretária dessa pasta, Patricia Ellen da Silva, é uma entusiasta da área de inovação e que está trabalhando para fortalecer o sistema de inovação do Estado. Um exemplo é o IPT Open Experience, um projeto parecido com o do HIDS, mas em menor escala, em que um instituto de pesquisa está sendo aberto para a iniciativa privada. Sakamoto mencionou, ainda, que uma característica importante do governador do Estado de São Paulo, João Doria, é que ele é uma pessoa que delega muito para os secretários e que ele não vai interferir negativamente. Um terceiro fator que poderá beneficiar esse projeto é o trem ligando a cidade de São Paulo ao interior do estado, passando por Campinas, obra que também será feita por meio de parcerias com a iniciativa privada e está alinhada com o propósito de ter meios de transporte mais sustentáveis.

O reitor Marcelo Knobel agradeceu a vinda de Sakamoto e sugeriu o agendamento de uma reunião com o governador para que o Conselho Consultivo apresente o HIDS. Ele afirmou, ainda, que o HIDS é uma construção coletiva e destacou que a ideia é construir algo diferente, inovador, único no país. Apesar do projeto ter sido iniciado pensando apenas na área da Fazenda Argentina, no qual não seria preciso envolver outros atores, o grupo percebeu que seria um desperdício, considerando uma região única no país, onde estão presentes instituições tão relevantes como o CNPEM, por exemplo. Para concluir a reunião, ele sugeriu que o Conselho se reúna uma vez por mês e que as instituições se revezem para sediar os encontros. Ele mencionou que a área de comunicação do HIDS, na figura da jornalista Patricia Mariuzzo, terá um papel fundamental nessa articulação. Ele convidou as instituições a indicarem representantes para participarem de uma reunião com o BID que iria acontecer nos dias 10 e 11 de outubro no prédio da Reitoria. A pauta é compreender o formato dos projetos enviados para o BID. O reitor da PUC-Campinas se prontificou a abrigar a próxima reunião do Conselho Consultivo do HIDS, cuja data e horário serão informados futuramente. Em nada mais havendo por informar, o reitor da Unicamp, Marcelo Knobel, agradeceu a presença de todos e deu por encerrada a Primeira Reunião Ordinária do Conselho Consultivo Fundador do HIDS. Não havendo mais nada, eu, Patrícia Mariuzzo, declaro que redigi e finalizo a presente ata.

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