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HIDS pode ser um laboratório de soluções para gestão de resíduos

O Fórum Permanente “Avanços no gerenciamento de resíduos e cidades inteligentes” é parte do conjunto de atividades relacionadas à Semana do Meio Ambiente que estão acontecendo na Unicamp. No evento, especialistas e pesquisadores estão discutindo a relação direta entre os projetos de cidades inteligentes e a gestão de resíduos sólidos. O objetivo é apresentar soluções inovadoras que visam a sustentabilidade no ambiente universitário e nas cidades, partindo do conceito de conceito de campus universitário como um laboratório vivo para a criação de soluções sustentáveis. Para o professor Edson Tomaz, da Faculdade de Engenharia Química da Unicamp (FEQ), um dos organizadores do evento, a Unicamp funciona como um recorte da cidade, com desafios igualmente complexos em termos de gestão de resíduos. “Nesse sentido, somos um laboratório vivo que pode gerar bons exemplos de soluções para a cidade como um todo”, disse na abertura do Fórum, cuja primeira mesa de discussões teve como tema o projeto do Hub Internacional para o Desenvolvimento Sustentável (HIDS).

Em sua fala, o coordenador geral do HIDS, Mariano Laplane, destacou a importância do tema gestão de resíduos no HIDS. “Os desafios que temos hoje requerem um tipo de inteligência além da digital e da inteligência artificial. Precisamos de inteligência ambiental, social e econômica”, disse Laplane. Segundo ele, já são claras as manifestações da mudança climática. A insegurança hídrica é apenas um dos exemplos que estamos vivendo nesse momento. E temos ainda a crise social porque essa sensação de insegurança e vulnerabilidade gera ansiedade e angústia e as consequências dessa crise vão permanecer por muito tempo ainda. Para o coordenador do HIDS, neste cenário, é cada vez mais urgente buscar soluções. “E o que tudo isso tem a ver com resíduos sólidos e com cidades inteligentes? ”, questionou. “O Estado não tem capacidade de responder sozinho a esses desafios. Por isso o HIDS é um bom problema no sentido de nos obrigar a pensar em soluções sustentáveis em várias dimensões: ambiental, econômica, fiscal e social. Ele deve ser um espaço de aprendizado onde, coletivamente, possamos gerar conhecimento e soluções que possam ser colocadas em prática fora do HIDS, seja nas periferias das grandes cidades, seja naquelas cidades onde ainda é possível pensar, planejar e pensar o futuro. As cidades podem melhorar por meio de sistemas inteligentes. Uma vida melhor é possível”, apontou o coordenador.

A professora Gabriela Celani, da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Unicamp (FEC), complementou a fala do professor Mariano, trazendo um panorama histórico da ocupação da área do HIDS e descrevendo os resultados das pesquisas feitas até agora pela equipe do projeto físico-espacial do HIDS que ela coordena. Estes estudos – Benchmarking 21 Soluções e a Leitura do Território – estão compilados em dois cadernos técnicos disponíveis no site do HIDS.

Em sua apresentação, a professora trouxe exemplos de soluções na área de gestão de resíduos adotadas em hubs de inovação que foram alvo de um estudo de benchmarking conduzido pela equipe. Uma das estratégias adotadas em Paris-Saclay, na França, foi a reutilização sistemática de material escavado de espaços públicos. Lá, os solos superficiais são reaproveitados nos espaços verdes e os solos menos férteis são utilizados na fundação de estradas. De acordo com Celani, nos primeiros projetos de espaço público realizados no distrito da École Polytechnique, em 2015, tanto o solo superficial quanto o lodo escavado foram recuperados, com reutilização de parte dos volumes e armazenamento de parte do material para aplicação futura. Houve redução de 50% do custo total do descarte do aterro e do fornecimento de materiais ao local. Segundo Gabriela Celani, já existem diversas iniciativas de aproveitamento de resíduos na Unicamp e em outras instituições que participam do projeto. Ela lembrou que os blocos de blindagem do acelerador de luz sincrotron, que será desmontado pelo CNPEM por conta da substituição pelo Sirius, poderão ser usados para pavimentação, em muros de gravidade, em sistemas de proteção de pedestres ou mesmo em obras de arte urbana.

Outro aspecto interessante lembrado pela pesquisadora da Unicamp é o reaproveitamento de instalações. Um exemplo é o Espaço Plasma, novo coworking e espaço maker aberto a toda a comunidade da Unicamp. O Plasma utiliza o espaço do antigo Laboratório de Plasmas do Instituto de Física que foi completamente reformado, seguindo as normas de acessibilidade e implementando técnicas de conforto ambiental passivo e ativo. O espaço resultante, com 730m² cobertos e 180 m² de pátio descoberto, tem capacidade para receber mais de 200 pessoas.

Para ver a apresentação completa da professora Gabriela Celani, clique aqui.

Por Patrícia Mariuzzo

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